18 de out. de 2011

Violência começa em casa


Violência começa em casa

O noticiário nos informa diariamente sobre atos de violência protagonizados por crianças e adolescentes. A palavra violência refere-se a qualquer comportamento humano que extrapole normas de conduta e cause danos físicos e/ou emocionais. Pode consistir em ações ou omissões, intencionais ou involuntárias, e classifica-se em negligência e abuso físico, sexual e emocional.

Sem desconsiderar fatores políticos e socioeconômicos envolvidos na questão, vamos focalizar o tema no contexto familiar, já que a violência que ocorre em casa está na base de todas as outras. Seu alvo mais vulnerável é a criança e o adolescente, em cujas personalidades ainda em formação tal experiência será integrada como fator determinante de traços, crenças e predisposições futuras.

Balanço divulgado pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, que recebe denúncias de violência contra crianças e adolescentes pelo serviço “disque 100”, revela que desde 2003 foram registradas 167 mil ocorrências em todo o país. Pesquisa realizada em agosto de 2011 pela Universidade Federal de São Carlos mostra que 70% das crianças envolvidas com bullyng – como agentes ou vítimas – sofrem castigos corporais no lar.

Um artigo publicado no New York Times em 22 de setembro de 2011 expõe o resultado de uma pesquisa sobre bullyng, mostrando que adolescentes envolvidos não se reconhecem como agressores nem vítimas. Em vez disso, classificam como “drama” qualquer manifestação nesse sentido, desqualificando o sofrimento envolvido de forma a permitir a continuidade daquilo que consideram inócuo ou engraçado.

A ponta do iceberg
As pesquisas demonstram apenas a ponta do iceberg. Vítimas de violência doméstica, assim como seus parentes e vizinhos, geralmente guardam segredo e o problema só vem à tona quando resulta em atendimento médico. Mesmo assim, lesões corporais que compreendem desde contusões, fraturas e queimaduras até rupturas de órgãos são frequentemente interpretadas nos serviços de saúde como acidentes.

A violência física e sexual vem sendo alvo de campanhas de conscientização ainda de forma tímida, se levar em conta a gravidade do problema. Entretanto, pouco se fala sobre abuso psicológico ou emocional, que tem o agravante de não deixar marcas visíveis. Esse tipo de violência ocorre sob a forma de ameaça, isolamento, indiferença, corrupção, exigências abusivas de desempenho, humilhação, desqualificação e rejeição.

A negligência é caracterizada pela omissão de cuidados e de atendimento às necessidades básicas da criança e do adolescente no que diz respeito à saúde, segurança, alimentação, educação, afeto e respeito.

Estudos neurocientíficos demonstram que toda forma de abuso, bem como o estresse que dela resulta, afeta seriamente o desenvolvimento anatômico e funcional do cérebro de crianças e adolescentes.

De pai para filho
Métodos educativos são transmitidos de geração a geração por meio de crenças nem sempre conscientes que compelem os pais ao uso dos métodos que lhes foram aplicados na infância. Pesquisas sobre a punição física constatam que a grande maioria dos adolescentes que apanham concorda que as crianças que fazem algo errado devem ser castigadas.

Crianças maltratadas tendem a se tornar adultos agressores ou propensos à vitimização. A experiência de maus-tratos mina a autoestima, a autonomia e a capacidade de se ver diante de outra pessoa em condição de igualdade. Estudos realizados em penitenciárias mostram que quase 100% dos criminosos sofreram algum tipo de violência na infância.

Como disse Madre Teresa de Calcutá, “no próprio lar começa a destruição da paz no mundo”. A tradição cultural que estimula os pais a castigarem física e emocionalmente os filhos propaga a cultura do poder à custa do abuso do mais fraco pelo mais forte e contribui para a banalização da violência.

Contudo, o papel da infância vem mudando gradualmente ao longo da história. De um lugar social nulo no Brasil colonial, vem se tornando cada vez mais socialmente relevante. Crianças e adolescentes são hoje reconhecidos como sujeitos de direito.

Podemos observar no discurso dos pais a representação de diversos momentos dessa transição para a cidadania em relação à punição corporal. Há aqueles que defendem que os pais têm plenos poderes para castigar os filhos. Há aqueles que buscam alternativas construtivas de educação. E existem outros que estabelecem limites para os castigos, como bater sem machucar ou humilhar. Depois do castigo, alguns se arrependem, reconhecendo o abuso.

Educação pelo exemplo
Devemos contribuir, por meio da informação, para que a transição cultural se dê mais rapidamente e com menos sofrimento. Medidas preventivas aos maus-tratos infantis devem alcançar setores responsáveis nas áreas jurídica, educacional, de assistência social e saúde pública.

É importante treinar os profissionais de saúde e educação para a detecção de sinais de violência, bem como desenvolver programas de conscientização de pais e familiares sobre as suas consequências. Graças à consciência e ao domínio da linguagem é possível encontrar formas inteligentes de alcançar os objetivos e devemos ensinar esses meios aos nossos filhos.

Podemos ensiná-los a reclamar quando insatisfeitos, a reivindicar sem desrespeitar os direitos alheios, a identificar e expressar sentimentos, a resolver problemas e reconhecer seus erros, a se desculpar, a tolerar a frustração, a conter impulsos, a se solidarizar, a respeitar limites e seguir regras, a construir relacionamentos saudáveis.

Na tarefa de educar, são recursos necessários aos pais a coerência na palavra e na ação, a adoção de valores sólidos, de responsabilidade, consistência, capacidade de cuidar, de amar, dialogar, ter tempo para educar, vontade de aprender e de ser uma pessoa sempre melhor a fim de dar o exemplo e se tornar um bom modelo para o desenvolvimento dos filhos. 

Vânia de Morais Psicóloga, mestre em Ciências da Saúde, doutoranda em Linguística, pesquisadora em cognição e linguagem. Professora em cursos de capacitação de psicoterapeutas e especialização em Terapias cognitivas na UFMG. 


Publicado no site Dom Total: 
http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=2255

12 de out. de 2011

Educar e punir são coisas diferentes


Educar e punir são coisas diferentes

A cena se repete em famílias de todas as classes e de diferentes níveis educacionais. Diante do comportamento de oposição do filho, os pais recorrem à punição física como “método educativo”. Imediatamente, a criança cessa o comportamento indesejado por temor aos adultos, que demonstram ter mais força física que ela e não por uma aprendizagem quanto aos significados (pessoais, sócias, afetivos) embutidos em tal comportamento. Será que podemos chamar a isso de educação?

Os defensores da palmada argumentam que, quando a criança desafia a autoridade dos pais e testa os limites, a demonstração de força se faz necessária para que entenda que é mais fraca e, assim, se submeta. Especialmente se ela não obedece a uma ordem que foi repetida.

Os castigos corporais vão da palmada ao espancamento, passando pelos abusos psicológicos infelizmente comuns nas relações familiares, como ameaças de abandono, castigo, rejeição, humilhação, indiferença e exigência exagerada de rendimento intelectual, esportivo ou outros tão comuns na sociedade atual. Muitas vezes a criança responde à agressão dizendo que “não doeu” ou se recusando a admitir o sofrimento, o que costuma aumentar a ira dos pais e a severidade da punição.

A demonstração de força dos adultos é obviamente desnecessária. É claro que a criança percebe quem é o mais forte, pelo menos fisicamente. Além disso, mesmo a palmada, considerada inofensiva por muitos pais, é uma agressão à integridade física e psíquica do filho, pois nesse embate ele estará sempre em desvantagem.

Construção interior

A criança é uma pessoa em formação, estando em franco processo de construção de um mundo interno composto de normas, regras, valores, gostos e desgostos. Suas experiências são o meio pelo qual aprende e apreende o mundo ao seu redor. As experiências são matéria-prima de realização do ser humano que vai se construindo.

Ela não está testando os pais quando os desafia. Está testando a si mesma e experimentando os próprios limites, aprendendo sobre si e sobre os outros. Está construindo regras que estarão na base de seus relacionamentos futuros. Cabe aos adultos responsáveis pela educação da criança dar-lhe os parâmetros que demarcam os limites entre ela e os outros, o que é permitido, o que é indevido, o que é proibido. Isso, sim, é educar.

Gritar, ameaçar e bater na criança não a educa e sim comunica ou ensina que a força física é o instrumento para se impor a realização de um desejo. Bater é uma forma de coação, não de educação. Coagir é usar a força para conseguir o que se quer. Se bater educasse, a palmatória ainda seria usada na escola e os pais concordariam que os professores castigassem seus filhos ou que vizinhos e amigos os corrigissem com “uns tapas”, toda vez que se comportassem de forma inadequada fora de casa.

Esse comportamento ambíguo não causa estranhamento, porque o filho ainda é visto pela sociedade como propriedade dos pais. Se alguém comete o desatino de bater no filho de outro, certamente será processado e punido pela lei. Afinal, bater numa criança é crime. Mas os pais continuam batendo nos filhos! Reconhecem que esse é um ato de covardia, se ocorre fora de casa, mas não o consideram como tal quando se dá entre as paredes do lar.

Violência gera violência

Será que um pai ou mãe acredita mesmo que está fazendo bem ao filho quando lhe castiga com palmadas e humilhações? Ou simplesmente não conhece outros recursos educativos? A maioria dos adultos está estressada e impaciente demais para cumprir com a função inevitável da paternidade/maternidade. As pessoas querem obediência e usam a força física como recurso para obtê-la. E o pior é que a criança aprende esse artifício e passa fazer uso dele.

As escolas estão infestadas de comportamentos violentos. Vivemos numa sociedade na qual as pessoas sofrem crescentemente com as psicopatologias do medo: transtornos de ansiedade, transtornos obsessivos, transtorno do pânico e fobias, entre outras.

Frequentemente as crianças que não usam de comportamentos agressivos, provavelmente porque não aprenderam isso em casa, apanham na escola e não sabem se defender. Os pais que têm essa consciência se vêm diante de um grande desafio: ensinar ao filho maneiras de se proteger da violência que o rodeia sem incentivá-lo a adotar comportamentos agressivos.

Os maus tratos às crianças, prática comum ao longo de séculos, vem sendo alvo de atenção dos profissionais de saúde e educação nas últimas décadas. Os educadores, profissionais de saúde e demais responsáveis pela difusão da informação e da formação de indivíduos na nossa cultura têm papel fundamental na proteção da criança e na formação de uma nova mentalidade relativa à educação e à punição no seio da família.

Só a lei não basta

Pesquisas científicas mostram que pais que acreditam na punição física como método educativo batem nos filhos com muita frequência, especialmente quando estão sob estresse. Também tem sido demonstrado que abusos físicos e emocionais cometidos com atitudes punitivas estão associados a problemas de conduta e de saúde mental da criança, como ansiedade, depressão, isolamento social, abuso de drogas e suicídio.

A instituição de uma lei que proíbe o castigo físico – embora este tenha sido um passo fundamental – não tem sido suficiente. Faz-se necessário, portanto, conscientizar os profissionais de saúde e educação para que cumpram sua obrigação legal de notificar os maus-tratos a crianças e adolescentes.

Mais importante ainda, é preciso levar informações às famílias sobre estratégias educativas apropriadas, baseadas em princípios éticos, no respeito, na colaboração e, principalmente, no amor. Assim estaremos contribuindo para uma sociedade mais saudável, formada por pessoas menos violentas, que não sofram de tantos medos e possam viver e conviver em paz.

Vânia de Morais Psicóloga, mestre em Ciências da Saúde, doutoranda em Linguística, pesquisadora em cognição e linguagem. Professora em cursos de capacitação de psicoterapeutas e especialização em Terapias cognitivas na UFMG. 

Publicado no site DOM TOTAL: 
http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=2221

25 de jan. de 2011

ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOTERAPIAS COGNITIVAS UFMG - inscrições abertas até 04/02/2011

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOTERAPIAS COGNITIVAS
EDITAL DE VAGAS
O Coordenador do Curso de Especialização em Psicoterapias Cognitivas da Faculdade de Medicina da
UFMG, no uso das atribuições, FAZ SABER, que no período de 14 (quatorze) de dezembro de 2010  a 04
(quatro) de  fevereiro de 2011 estarão abertas as inscrições para admissão ao Curso de Pós-Graduação em
PSICOTERAPIAS COGNITIVAS em nível de Especialização. Para que o curso ocorra deverão ser
matriculados um mínimo de  30  (trinta) alunos.  Nos termos da Resolução nº 07/2004 do Conselho
Universitário da UFMG, 10% (dez por cento) das vagas serão reservadas à participação gratuita de candidatos
carentes e de servidores da UFMG, sempre que aprovados em processo seletivo. O candidato selecionado
poderá habilitar-se à participação gratuita, desde que seja caracterizado como carente pela FUMP (site:
www.fump.ufmg.br) ou selecionado pela Pró-Reitoria de Recursos Humanos, caso seja servidor. No caso de
vaga única ou em número impar, será priorizado o segmento servidor da UFMG. As atividades letivas estão
programadas para o período de 11 (onze) de março de 2011 a 17 (dezessete) de dezembro de 2011.  I – DAS
VAGAS: As vagas para 2011 são no total de 40 (quarenta). II – DAS INSCRIÇÕES: A inscrição no valor
de R$30,00 (trinta reais) poderá ser feita: a) pela  internet www.fundep.ufmg.br (os candidatos que optarem
pela inscrição via  internet deverão enviar a documentação para UFMG/Campus Pampulha  - Av. Antonio
Carlos, 6627 - Fundep/Praça de Serviços/loja 7 - cep 30123-970 - caixa postal: 856 - postada até 02/02/2011
se for via SEDEX). b) pessoalmente no posto de atendimento da Fundep sendo a documentação entregue no
ato da inscrição ou, c) enviada pelo correio no endereço da Fundep acima, postada até 02/02/2011 se for via
SEDEX.   No ato da inscrição o candidato deverá apresentar os seguintes documentos: a)Formulário de
inscrição (fornecido no ato da inscrição) devidamente preenchido e acompanhado de 02 (duas) fotos 3x4; b)
Cópia de diploma de graduação em Psicologia ou Medicina, frente e verso, expedido por estabelecimento
oficial ou oficialmente reconhecido, ou de outro documento que comprove estar o candidato em condições de
concluir o curso de graduação até o término do período para registro acadêmico no curso de pós-graduação,
ficando tal registro condicionado à prova de conclusão da graduação; c) “Curriculum vitae”; d) Prova de estar
em dia com as obrigações eleitorais (cópia do comprovante de votação na última eleição: 1º e 2º turno) e/ou
militares, no caso de candidato brasileiro, e, no caso de estrangeiro os exigidos pela legislação específica. O
candidato estrangeiro deve comprovar o domínio instrumental da língua portuguesa; e) Cópia da Carteira de
Identidade expedida pela Secretaria de Segurança Pública e cópia da carteira do Conselho Regional de
Psicologia (CRP) ou Medicina (CRM);  f) comprovante do pagamento da inscrição; g)  Comprovante de
endereço.  Não serão aceitas inscrições com documentação incompleta. Só serão deferidos os pedidos de
inscrição que atendam as exigências deste edital.  III – DO CONCURSO E SELEÇÃO: O processo  de
seleção dos candidatos, que se realizará na Faculdade de Medicina, em sala a ser definida, ocorrerá em 2
(duas) etapas, sendo a primeira etapa eliminatória uma prova a ocorrer em 07 (sete) de fevereiro e, a segunda
etapa classificatória no formato de entrevista, a ocorrer entre 08 (oito) e 09 (nove) de  fevereiro. A primeira
etapa será constituída de avaliação dos currículos dos candidatos, onde serão consideradas a experiência
profissional comprovada por profissional ou entidade inscritos nos Conselhos Profissionais (20%), a
participação em eventos científicos da área (20%), os cursos complementares (20%) e outras atividades
relacionadas ao tema da especialização (40%), resultando em nota de 0 (zero) a 100 (cem). Os candidatos que
obtiverem média igual ou acima de 60% serão convocados para a entrevista. Na entrevista serão avaliados os
seguintes quesitos: conhecimentos sobre os princípios das psicoterapias, do funcionamento mental e do
comportamento humano (60%); interesse particular do candidato e a efetiva disponibilidade para freqüentar o
curso (40%). Alguns conceitos relevantes sobre as psicoterapias cognitivas podem ser encontrados em:
CORDIOLI, Aristides V. Psicoterapias: abordagens atuais. 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998; e
STERNBERG, Robert. Psicologia Cognitiva. 4ª edição. SP: Artmed, 2008.  Será atribuída à entrevista uma
nota na faixa de 0 (zero) a 100 (cem). A nota final de cada candidato será a média aritmética das notas obtidas
na prova e na entrevista. Os candidatos serão classificados por ordem decrescente da média dos  pontos
obtidos na prova e na entrevista, dentro do limite das vagas de acordo com os critérios mencionados acima. A
entrevista será realizada em sala do Departamento de Saúde Mental na faculdade de Medicina. A escala de
horários das entrevistas, assim como o local para as mesmas será afixada no mural do Departamento de Saúde
Mental da Faculdade de Medicina, no dia 09/02/2011 às 16h00. IV - DA APROVAÇÃO: Para a aprovação
final será considerada a média aritmética dos itens a e b, dentro do limite de vagas. A classificação será feita
em ordem decrescente das notas apuradas, que serão publicadas com os resultados no dia  14 (quatorze) de fevereiro de 2011. Os critérios de desempate incluem: 1) nota maior no “Curriculum Vitae”; 2) nota maior na
entrevista, 3) maior idade. As notas finais e de cada etapa serão divulgadas no mural do Departamento de
Saúde Mental, no segundo andar da Faculdade de Medicina. Os recursos poderão ser feitos no Departamento
de Saúde Mental dentro do prazo de 10 (dez) dias a partir da data da divulgação das notas. Neste período, os
candidatos terão acesso às respectivas avaliações. A Banca examinadora será composta por 03 (três)
professores do programa com título mínimo de mestre. A documentação de candidatos aprovados e
reprovados não será devolvida em hipótese alguma. V – DO REGISTRO E MATRICULA: O candidato
aprovado no processo seletivo de que trata este edital deverá efetuar, exclusivamente pela internet, no
período de 16/02/ até 18/02/2011, o seu cadastro prévio, mediante o preenchimento de formulário disponível
no site https://sistemas.ufmg.br/cadastroprevio. O DRCA tomará as providências para efetuar o Registro
Acadêmico após o recebimento da documentação completa dos candidatos selecionados, na forma exigida
(cópias legíveis e sem rasuras) e do preenchimento da Ficha de Cadastro Prévio pelo candidato classificado.
A documentação completa dos selecionados será enviada ao DRCA pela Secretaria do Curso  até a data
21/02/2011. O candidato que apresentou, no período de inscrição, documento comprobatório de estar em
condições de concluir o curso de graduação antes do período para registro acadêmico no curso de pósgraduação, deverá entregar na Secretaria do Programa, até a data 18/02/2011, documento que comprove a
conclusão do curso de graduação (cópia do diploma de graduação, expedido por estabelecimento oficial ou
oficialmente reconhecido ou declaração de conclusão de curso em que conste a data da colação do grau). Não
serão aceitas declarações com previsão de conclusão ou de colação. De acordo com o disposto no art. 39, §
2º, do Regimento Geral da UFMG, “cada aluno terá direito a um único registro acadêmico, correspondente a
uma só vaga no curso em que foi admitido na UFMG”. Perderá automaticamente o direito à vaga e será
considerado formalmente desistente o candidato classificado que não efetuar o Cadastro Prévio na data fixada
para a realização desse procedimento ou que não apresentar qualquer dos documentos solicitados neste Edital.
O preenchimento de vaga(s) decorrente(s) destas situações será feito mediante convocação de outros
candidatos aprovados, observada, rigorosamente, a ordem de classificação segundo a ordem decrescente de
pontos obtidos no concurso, até a data limite para envio da documentação ao DRCA. A matrícula dos
candidatos aprovados será realizada no Sistema Acadêmico da Pós-Graduação, de acordo com orientação da
Secretaria do Programa, em data a ser divulgada, observado o calendário acadêmico da Universidade. Belo
Horizonte, 24 de novembro de 2011.
José Carlos Cavalheiro da Silveira
Coordenador do Curso de Especialização em Psicoterapias Cognitivas

2 de nov. de 2009

MAIS QUE TRAVESSURA

É quase uma regra: na maioria das salas de aula há, ao menos, um aluno que não para quieto na carteira, vive correndo e gritando mais que os outros pelos corredores da escola. Ou, então, aquelas crianças que vivem no "mundo da lua" e não conseguem prestar atenção ao que o professor explica. Esses comportamentos podem ser sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), um distúrbio neurológico e hereditário que altera algumas funções do cérebro, especialmente as relacionadas com a atenção e a impulsividade.
Esses sintomas tornam-se mais evidentes no início da fase escolar e, justamente por isso, deixam pais e professores em dúvida.
Afinal, como apontar se a criança tem um transtorno ou se seu comportamento é comum à sua idade?
Para a psicóloga Vânia de Morais, especialista em TDAH, a palavra final deve ser sempre de um médico neurologista ou psiquiatra especializado. O professor pode e deve contribuir para a identificação de um possível problema, porém precisa ter o cuidado de não tecer qualquer diagnóstico. "A conduta do professor deve ser alertar os pais ou a coordenação da escola que tem algo acontecendo com aquela criança, e não diagnosticar", ressalta a psicóloga.
O ambiente escolar pode ser um aliado, se aproveitado de modo correto. Uma alternativa é comparar, a longo prazo, o comportamento em classe dos alunos de mesma faixa etária e sob influência das mesmas condições e, a partir daí, observar se há algo de incomum nas
ações de alguns deles. "As crianças com TDAH não conseguem ficar quietas, acompanhar o ritmo da turma. Às vezes não entendem qual é a atividade proposta. Outros já ficam inertes, como se não estivessem integrados com o que está sendo falado", explica a professora Silvana Galvão. Durante 13 anos, ela deu aulas na Escola Estadual Pandiá Calógeras, em Belo Horizonte (MG), e lidou com diversas crianças que sofriam do transtorno. A professora afirma ainda que outra forma de detectar o problema é pelo desempenho escolar do aluno. "As notas dessas crianças são, frequentemente, piores que a dos demais alunos. Elas precisam de acompanhamento individual, nós temos que conversar com elas em particular constantemente."
No entanto, desempenho escolar ruim ou comportamento inadequado em classe não devem ser creditados unicamente ao TDAH. Vânia de Morais afirma que esses enganos ocorrem devido à dificuldade de discernir uma criança que é simplesmente "levada" ou que está enfrentando uma fase difícil, de uma hiperativa ou com déficit de atenção. "Uma crise em casa, pais que brigam com frequência, alguma dificuldade na escola, tudo isso contribui para que a criança reaja com um comportamento desatento ou hiperativo", explica. A psicóloga ressalta, ainda, a importância de saber distinguir um quadro consistente, que vem se apresentando ao longo da vida da criança, de uma reação a uma circunstância passageira. A pesquisadora do Ceale, Maria de Fátima Gomes, partilha de opinião semelhante: "Não se pode generalizar. Taxar como TDAH qualquer comportamento diferente das crianças é um erro". E completa: "Mesmo que a criança apresente
uma conduta próxima do que é considerado TDAH, deve-se tomar cuidado em não transformar a diferença em deficiência", alerta.
Assistência
Há, no Brasil, ações voltadas para capacitação de professores com o objetivo de prepará-los para lidarem de maneira adequada com crianças que sofrem de TDAH. É o caso da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). De acordo com o médico Sérgio Borboun, membro do conselho científico da ABDA, "a função básica da Associação é divulgar o transtorno, capacitar e formar profissionais". Para isso, a instituição realiza congressos para profissionais da educação, psicólogos e médicos.
Para o Ministério da Educação (MEC), o problema do TDAH está circunscrito à educação básica, já que os estudantes que sofrem com o transtorno não necessitam de recursos de acessibilidade. "A política da Secretaria de Educação Especial considera que alunos com TDAH devem ser tratados de forma articulada com a educação básica. Eles não necessitam de um atendimento educacional específico", diz a coordenadora geral da Política Pedagógica da Educação Especial do MEC, Sinara Zardo. Segundo ela, os cursos de formação de professores voltados para a educação básica já contemplam os alunos com o transtorno, graças às suas práticas educacionais inclusivas.

TRATAMENTO
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade não tem cura, mas existe tratamento para diminuir os sintomas. De acordo com a neurologista infantil Thelma Ribeiro, ele se baseia em uso de remédio aliado à terapia psicológica. A terapia utilizada com os pacientes é composta por estratégias que os ajudam a desenvolver habilidades de organização, de manutenção da atenção em diferentes ambientes e de contenção da impulsividade.
A psicóloga Vânia de Morais explica que as pessoas afetadas pela doença possuem “um tipo
de configuração do cérebro distinta” e, por isso, “sempre serão diferentes das demais”. Ela ressalta ainda que crianças que não são adequadamente diagnosticadas ou tratadas podem, posteriormente, desenvolver quadros psiquiátricos graves, como baixa auto-estima, agressividade descontrolada, ansiedade e até depressão. “O uso do medicamento e estratégias terapêuticas é essencial na vida desses pacientes e deve ser feito de forma contínua, sempre com acompanhamento médico.”

FONTE: LETRA A: Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita - Faculdade de Educação/UFMG
www.ceale.fae.ufmg.br/nomade/midia/docs/237/phprD15Kr.pdf

18 de out. de 2009

O TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH)

O TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH)

1. Definição

O TDHA é definido como um transtorno do desenvolvimento infantil, cujos sintomas surgem na infância, persistem na vida adulta em mais da metade dos casos e resultam em dificuldades nos âmbitos da vida pessoal, acadêmica, familiar, social e profissional do indivíduo portador, além de provocar forte impacto na vida das pessoas com quem se relaciona cotidianamente (Rhode et al. 2003).

2. Etiologia

Numerosos estudos vêm sendo realizados nas últimas décadas, a fim de investigar aspectos neurobiológicos, genéticos, clínicos e epidemiológicos do TDHA. Suas causas precisas ainda não são conhecidas, masfortes indícios e ampla aceitação na literatura de que seja relacionado a alterações neuroquímicas de origem provavelmente genética com contribuição de fatores ambientais ao seu desenvolvimento. É uma síndrome heterogênea e complexa, com conseqüente complexidade etiológica e fisiopatológica. Os achados de pesquisa indicam envolvimento das catecolaminas, em especial da dopamina e da noradrenalina (HARKNETT; BUTLER, 2007; PLISZKA, 2004 e RHODE; HALPERN, 2004).

As investigações dos fatores genéticos encontram dados consistentes que confirmam a participação da hereditariedade no TDAH: o risco para o TDAH é até oito vezes mais alto nos pais das crianças afetadas do que na população em geral (SPENCER & BIEDERMAN, 2007); o risco para irmãos é de 32% (PLISZKA, 2004); entre gêmeos a herdabilidade é alta e ultrapassa 0,70 (ROHDE; HALPERN, 2004). O risco biológico de TDAH entre parentes de primeiro grau é de 25 a 33% (BARKLEY, 2003), e a prevalência de TDAH entre pais biológicos é três vezes maior em comparação a pais adotivos (THAPAR et al.,1999).

Além das questões genéticas, fatores biológicos, como traumatismos neonatais e muito baixo peso ao nascer, tabagismo e etilismo da mãe na gravidez, são também correlacionados ao TDAH (SILVA, 2003). Fatores psicossociais têm sido recentemente pesquisados, e encontram-se correlações significativas entre o surgimento e a manutenção do TDAH e adversidades psicossociais como desentendimentos familiares, psicopatologia paterna ou materna, classe social baixa, colocação em lar adotivo (ROHDE; HALPERN, 2004). Alguns estudos têm demonstrado forte correlação do TDAH com os conflitos familiares crônicos, a falta de coesão familiar e a exposição à psicopatologia parental (JONHSON; MASCH, 2006, BRISCOE & HINSHAW, 2006). As práticas parentais não aparecem como causas do TDAH, mas podem exacerbar os sintomas, e algumas vezes os padrões de interação familiar são vistos como conseqüências do TDAH na família (BIEDERMAN, 2005; HARKNETT; BUTLER, 2007).

Diferenças de gênero também foram associadas ao transtorno. Embora muitos estudos encontrem prevalência significativamente maior em meninos (9%) do que em meninas (3%), alguns estudos vêm encontrando resultados divergentes. Alguns autores atribuem a menor proporção encontrada em meninas à menor freqüência de sintomas de agressividade/impulsividade e baixas taxas de transtorno de conduta, sintomas que levam à maior procura de atendimento pelos meninos (HARKNETT; BUTLER, 2007).

3. Diagnóstico

Os sintomas típicos da síndrome são desatenção, hiperatividade e impulsividade, que devem ocorrer em freqüência acima do comum, estar presentes desde a infância e em diferentes contextos, além de causar comprometimento funcional ou social (MATTOS et al. 2006).

São descritos na literatura três tipos de TDAH:

TDAH com predomínio de desatenção, no qual podem existir alguns poucos sintomas de hiperatividade, mas o predomínio é do quadro de desatenção.

TDAH com predomínio de hiperatividade no qual, ao contrário, podem existir alguns sintomas de desatenção, mas o predomínio do quadro é de hiperatividade e impulsividade.

TDAH combinado de desatenção e hiperatividade.

O DSM-IV estima a sua prevalência entre 5 e 13% das crianças, e cifras semelhantes foram encontradas em culturas distintas, o que, segundo Rohde et al. (2003), atestaria que o TDAH não está relacionado à cultura nem à educação recebida.

Embora os exames de neuroimagem e testes neuropsicológicos sejam extensamente utilizados nas pesquisas e a avaliação neuropsicológica seja um recurso importante para se evitar a banalização do diagnóstico, estes não são ainda utilizados pela maioria dos clínicos. O diagnóstico é fundamentalmente clínico com base nos seguintes critérios estabelecidos pelo DSM-IV, como mostra o Quadro 1.


Quadro 1 - Critérios diagnósticos do TDAH segundo o DSM-IV

A.

Ou B (1) ou (2)

(1)

Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

DESATENÇÃO

a)

Freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras.

b)

Com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.

c)

Com freqüência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra.

d)

Com freqüência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções).

e)

Com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.

f)

Com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa).

g)

Com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por exemplo, brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais).

h)

É facilmente distraído por estímulos alheios às tarefas.

i)

com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias.

(2)

Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

HIPERATIVIDADE

a)

Freqüentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira.

b)

Freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado.

c)

Freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isso é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação).

d)

Com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer.

e)

Está freqüentemente a mil ou muitas vezes age como se estivesse a todo vapor.

f)

Freqüentemente fala em demasia.

IMPULSIVIDADE

g)

Freqüentementerespostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas.

h)

Com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez.

i)

Freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo, intromete-se em conversas ou brincadeiras).

B.

Alguns sintomas de hiperatividade/impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade.

C.

Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por exemplo, na escola [ou trabalho] e em casa).

D.

Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.

E.

Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno invasivo do desenvolvimento, esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são mais bem explicados por outro transtorno mental (por exemplo, transtorno do humor, transtorno de ansiedade, transtorno dissociativo ou um transtorno da personalidade).

Codificar com base no tipo:

314.01 - Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo Combinado: Se tanto o critério A1 quanto o critério A2 são satisfeitos durante os últimos 6 meses.

314.01 - Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo Predominantemente Desatento: Se o critério A1 é satisfeito, mas o critério A2 não é satisfeito durante os últimos 6 meses.

314.01 - Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo: Se o critério A2 é satisfeito, mas o critério A1 não é satisfeito durante os últimos 6 meses.


4. Co-morbidades

Estima-se que 65% das crianças com TDAH têm uma ou mais condições co-mórbidas. As associações mais comumente relatadas são os transtornos anti-sociais, especialmente o transtorno de conduta e o transtorno opositivo desafiador (TOD) e também, de acordo com Harknett & Butler (2007), os problemas de aprendizagem e do desenvolvimento, os transtornos de humor, os transtornos de ansiedade, os transtornos de personalidade, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). O TDAH também tem sido relacionado com prejuízo de habilidades sociais, distúrbios do sono, enurese, baixa escolaridade, tiques, abuso de drogas ((SPENCER & BIEDERMAN, 2007).

A co-morbidade com transtorno de conduta (TC) é de 20 a 50% dos casos. A possibilidade de a desadaptação crônica causada pelo TDAH ter forte influência para o surgimento de TC nesses pacientes é sugerida por Faraone et al. (1991).

O abuso de drogas também ocorre com freqüente simultaneidade com o TDAH, especialmente naqueles que apresentam transtorno de conduta. Hallowell et al. (1999) sugere que as drogas são utilizadas pelos portadores de TDAH como uma tentativa de controle dos sintomas e defende que o tratamento precoce do TDAH pode evitar o abuso de drogas na adolescência e vida adulta para esse fim. A tendência de se envolver em situações arriscadas coloca os indivíduos com TDAH e não-tratados em risco 3 a 4 vezes maior de abuso de drogas em comparação aos tratados. Os pacientes medicados com estimulantes apresentam risco similar aos do grupo de controle nas pesquisas, o que evidencia que o tratamento é altamente recomendado (HARPIN, 2005).

A depressão é encontrada em 15 a 75%, e o transtornos de ansiedade em 30 a 40% dos pacientes portadores de TDAH. A depressão e a ansiedade podem ser resultantes das dificuldades, dos desafios, das frustrações e da desmoralização decorrente dos sintomas de TDAH (ROHDE et al. 2003).

O transtorno de humor bipolar está presente em 10% dos pacientes portadores de TDAH, e os transtornos de tiques, embora menos pesquisados, também são comuns. Rohde et al. (2003) aponta também co-morbidade significativa do TDAH com transtornos de aprendizagem (com taxas que variam de 10 a 95%) e com transtornos de linguagem (transtornos de leitura, transtornos de escrita e de competência comunicativa).

5. Tratamento

Devido à complexidade e à heterogeneidade de suas manifestações, o tratamento do TDAH deve ser multimodal, ou seja, deve combinar farmacoterapia, psicoterapia e orientação pedagógica. Os medicamentos de primeira escolha são os estimulantes, amplamente estudados e com sua eficácia demonstrada em dezenas de estudos controlados e bem conduzidos. Apesar disso, os cientistas discutem os indicadores que sugerem que os estimulantes afetam o crescimento da criança, embora isso aconteça apenas durante o tratamento e não haja comprometimento do crescimento final. Os antidepressivos tricíclicos e a bupropiona são também eficazes e utilizados no tratamento do TDAH na presença de co-morbidades ou na ausência de resposta aos estimulantes. No Brasil, o metilfenidato é o único estimulante disponível no mercado (ROHDE; HALPERN, 2004). Mudanças nos sistemas noradrenérgico e dopaminérgico parecem necessárias para a eficácia do tratamento do TDAH. Drogas serotoninérgicas têm um efeito leve nos sintomas centrais do transtorno (BIEDERMAN, 2005).

As conseqüências do TDAH não-tratado se estendem dos danos à vida pessoal do portador até a vida familiar e chegam à sociedade na forma de comportamentos anti-sociais. Entre os portadores de TDAH, é mais elevado o número de acidentes e estes estão mais propensos a ter danos severos. O custo médio anual de saúde de jovens com TDAH é o dobro do de jovens sem TDAH (LEIBSON et al. 2001).

Além disso, o TDAH representa um risco para abuso de substâncias e foi constatada maior utilização dos serviços de saúde pelos familiares, especialmente devido aos altos índices de problemas de saúde mental decorrentes do estresse na família desses pacientes. O transtorno também foi relacionado ao risco aumentado para depressão e problemas com álcool entre os familiares (HARPIN, 2005).

O papel do tratamento é de vital importância para a melhoria da qualidade de vida, assim como na prevenção dos riscos para todos aqueles envolvidos com o TDAH. Estudos mostram que, quando as crianças são submetidas ao tratamento com estimulantes, suas interações com pais, professores e colegas se tornam mais positivas e menos estressantes (BARKLEY, 2002). Também está demonstrada para os níveis da população normal, uma queda no risco para o abuso de substâncias, nos indivíduos tratados.

O tratamento multidisciplinar é o mais indicado para o TDAH. A psicoterapia é útil para o desenvolvimento do autocontrole, a recuperação da auto-estima e o desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas. As crianças que apresentam lacunas no aprendizado são beneficiadas com os recursos da Psicopedagogia; quandoproblemas de linguagem deve-se lançar mão também da Fonoaudiologia. Para a eficácia do tratamento, é muito importante o envolvimento da família, da escola e da própria criança. Enfim, é fundamental informar o paciente e sua família sobre o transtorno, bem como dar-lhe orientações sobre as estratégias de manejo dos sintomas (ROHDE; HALPERN, 2004).

Morais, V., 2008 – Dissertação de Mestrado, cap.2.